Gael Monfils se despediu dos Grand Slams na noite de quinta-feira, 3 de setembro, no mesmo lugar em que tantas vezes transformou esforço em espetáculo. Learner Tien venceu por 6-3, 6-4 e 6-3 na segunda rodada do US Open, mas o Louis Armstrong Stadium reservou seus aplausos mais demorados ao francês de 40 anos, que disputava sua 18ª e última campanha em Nova York.

O placar teve a precisão de Tien. O norte-americano salvou um break point no quinto game do primeiro set e quebrou no seguinte. Na segunda parcial, abriu 4-3 com nova quebra e defendeu três oportunidades de Monfils no game seguinte. Quando o francês tentou convocar outra virada, a bola voltava sempre mais uma vez. Após dois sets, Tien somava 14 erros não forçados; Monfils, 36.

Ainda assim, a última lembrança não será uma planilha de erros. No terceiro set, com Monfils sacando em 2-2, a arquibancada começou a repetir seu nome. Ele encontrou um backhand vencedor na paralela e gritou junto. Por alguns segundos, o corpo cansado, a bola acelerada e a voz do público voltaram a formar a combinação que marcou sua passagem pelo circuito.

Despedida de Gael Monfils contra Learner Tien no US Open de 2026 · Assistir no YouTube

Tien quebrou logo depois, fez 4-3 e fechou a partida em sets diretos. A firmeza do jovem de 20 anos não diminuiu o homenageado; ofereceu ao adeus um adversário plenamente comprometido com o presente. Em Montreal, menos de um mês antes, Tien também havia vencido Monfils e depois pedido um autógrafo. O admirador voltou a ser rival, e os dois se abraçaram quando o último ponto confirmou o fim.

A história de Monfils no US Open começou em 2005, com uma batalha de cinco sets contra Novak Djokovic. Seu auge em Nova York veio em 2016, quando alcançou a semifinal sem perder uma parcial até reencontrar o sérvio. Ao longo dos anos, porém, a relação foi definida menos por uma campanha específica do que pela expectativa criada sempre que ele tinha espaço para correr, improvisar e desafiar a geometria da quadra.

Houve um último presente antes da despedida. Dois dias antes, no aniversário de 40 anos, Monfils virou a partida contra Adolfo Daniel Vallejo e venceu por 2-6, 6-1, 6-2 e 6-0. A noite de celebração garantiu mais um encontro com Nova York e permitiu que sua passagem final pelos Grand Slams não terminasse na estreia, mas num palco cheio e consciente do momento.

Com o microfone em mãos depois da derrota, Monfils agradeceu ao público e disse que havia sido “uma honra absoluta” jogar diante dele. A frase não precisou transformar a noite numa cerimônia pesada. O francês sorriu, ouviu o estádio e deixou a quadra cercado pelo mesmo afeto que recebeu durante quase duas décadas.

A despedida dos Grand Slams não é ainda a despedida do tênis. Monfils pretende encerrar a carreira ao fim da temporada de 2026. Para o ano seguinte, anunciou uma mudança improvável e já concreta: trabalhará em gestão de patrimônio para uma empresa suíça. Depois de uma vida profissional construída em movimento, o próximo capítulo começará em um escritório — com Nova York guardada como uma de suas casas no esporte.

Fontes consultadas: US Open/USTA e ATP Tour. Apuração atualizada em 4 de setembro de 2026.