Gael Monfils prometeu tratar cada partida de 2026 como se fosse a última. Na terça-feira, 1º de setembro, a frase deixou de ser uma intenção abstrata: ele completou 40 anos dentro do Louis Armstrong Stadium, perdeu o primeiro set para Adolfo Daniel Vallejo e respondeu com uma vitória por 2-6, 6-1, 6-2 e 6-0 em sua derradeira campanha no US Open.
A virada começou por um ajuste simples e decisivo. Monfils havia passado boa parte da parcial inicial ereto demais e atrasado para a bola. Quando baixou o centro de gravidade, acelerou as pernas e tomou a devolução mais cedo, a partida mudou. Depois de ceder cinco games consecutivos no primeiro set, ele permitiu apenas três nos três seguintes.
Os 37 winners contam parte dessa transformação. O restante apareceu na forma como Monfils voltou a ocupar o palco: uma direita saltando, defesas improváveis e a capacidade de convocar a arquibancada entre dois pontos. Aos 40, ele não venceu tentando parecer o jogador de outra época; venceu escolhendo com precisão quando ainda podia jogar como ele.
O público entendeu o tamanho da noite. Após o match point, cantou parabéns para o francês, enquanto Elina Svitolina acompanhava das cadeiras. A celebração reconhecia a carreira, mas Monfils havia acabado de mostrar que a despedida ainda podia produzir competição real, não apenas cerimônias.
O resultado fez dele o primeiro homem com pelo menos 40 anos a vencer uma partida no US Open desde Jimmy Connors, em 1992. Foi sua 34ª vitória em Nova York, recorde entre franceses, e acrescentou uma nova linha a uma trajetória que teve como ponto mais alto no torneio a semifinal de 2016.
Há também uma coincidência que combina com o gosto de Nova York por grandes histórias: Connors conseguiu sua vitória aos 40 no próprio aniversário, 2 de setembro de 1992. Trinta e quatro anos depois, Monfils repetiu o feito um dia antes no calendário e prolongou o 71º e último Grand Slam de sua carreira.
O próximo adversário mostra por que a campanha não pode viver só de passado. Learner Tien tem 20 anos, é o atual campeão do Next Gen ATP Finals e venceu Monfils em Montreal no mês passado. Depois daquele encontro, pediu um autógrafo ao francês que acompanhava desde criança. Na quinta-feira, a admiração ficará do lado de fora das linhas.
Monfils terá diante de si um jogador que representa a geração para a qual ele já virou referência. É uma passagem de bastão sem protocolo: Tien quer encerrar a corrida, Monfils quer adiar o adeus. A vitória sobre Vallejo garantiu que, aos 40, ele ainda possa escrever essa transição com a raquete na mão.
Fontes consultadas: US Open/USTA e ATP Tour. Apuração atualizada em 2 de setembro de 2026.
